31 de agosto de 2009

«Os sons que fizeram história»

Na TSF: "Na semana em que Timor-Leste assinala o 10º aniversário do referendo da independência, a TSF recorda os sons que fizeram história na História da mais jovem nação do mundo." [áudio]

«O balanço dez anos depois do referendo»

Na TSF: "Em 1999, Portugal uniu-se por uma causa - Timor-Leste. Dez anos depois, que balanço fazemos do caminho percorrido pelos timorenses depois do referendo da independência?" [áudio]

«Díli recebeu reunião histórica dos chefes de três diplomacias»

No DN: "Pela primeira vez após décadas de contencioso, Díli foi, ontem, palco de uma reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Timor-Leste e Indonésia. Um encontro classificado como "histórico" e que marca uma nova fase nas relações Lisboa-Jacarta." [artigo integral]

«Ordem de Timor-Leste atribuída a Guterres e Jaime Gama»

No PÚBLICO: "O antigo primeiro-ministro português António Guterres e o ministro dos Negócios Estrangeiros dessa altura, Jaime Gama, foram ontem condecorados em Díli com a Ordem de Timor-Leste, pela forma como contribuíram para a concretização do referendo em que há dez anos a população do território optou pela independência. "Agradeço-lhe, Jaime Gama, a sua paciência inesgotável, a serenidade perante a adversidade e a sua grande capacidade como diplomata", disse o chefe de Estado timorense, José Ramos-Horta, em referência ao actual presidente da Assembleia da República." [artigo integral]

30 de agosto de 2009

«Pomba da liberdade abriu asas»

Na TSF a 30/8/99: "Ao fim de 24 anos de luta contra o invasor indonésio, milhares de timorenses participaram ontem no referendo sobre o futuro do território. Segundo as estimativas da ONU, terão votado mais de 90 por cento dos recenseados. E, apesar da tensão dos últimos dias, a votação decorreu sem incidentes de maior. Em Portugal, as reacções foram de regozijo. Ainda é cedo para se conhecerem os resultados do referendo, mas uma coisa é certa: seja qual for o desfecho da votação, ontem a pomba da liberdade abriu as suas asas sobre o povo de Timor-Leste." [artigo integral]

«Amado rejeita ver Timor como 'Estado falhado'»

«Referendo em Timor foi há 10 anos»

Recortes e memórias

Nos próximos dias irei publicar as capas dos jornais e revistas desse Setembro de 1999. São fotografias das edições originais que teimo em guardar numa grande caixa de cartão. Ocasionalmente escolherei um texto ou uma imagem do muito que se disse e mostrou nesses dias em que todos fomos timorenses. A partir de dia 6, publicarei também as fotos que fiz há 10 anos durante os quase 15 dias de manifestações, vigílias, cordões e outras acções que fizeram de Portugal a capital do activismo.

«Memorial dos Mártires recebe primeiros heróis da libertação»

No DN: "Numa cerimónia carregada de emoção, Ramos-Horta inaugurou monumento que lembra os resistentes à ocupação indonésia. Foi o momento mais alto da celebração do décimo aniversário do histórico referendo." [artigo integral]

«1200 mortos»

" (...) Apesar das ameaças feitas pelas milícias que queriam que tudo continuasse na mesma, 98,6 por cento do eleitorado potencial pronunciou-se e apenas 21,5 por cento disse querer continuar a ser uma província da Indonésia. Seguiram-se actos de grande violência, em que essas milícias, enquadradas pelo Exército ocupante, causaram mais de 1200 mortos e obrigaram 250.000 pessoas a fugir para a parte indonésia da ilha de Timor. Foi o capítulo final de uma presença indonésia que se saldara em cerca de 183.000 mortos, mais de um quinto de toda a população." [Fonte]

«Aniversário do referendo 'é digno de se celebrar'»

No PÚBLICO: "A eurodeputada socialista portuguesa Ana Gomes está em Díli porque "é digno de se celebrar" o décimo aniversário do referendo em que 78,5 por cento dos cidadãos timorenses escolheram ser independentes, após quase 24 anos de ocupação indonésia. "Timor-Leste vive hoje em liberdade, em democracia, no caminho para a prosperidade. E Portugal merece crédito pelo sentido de oportunidade diplomática com que conduziu todo o processo", afirmou por telefone ao PÚBLICO Ana Gomes, que, na altura, era chefe da secção de interesses portugueses em Jacarta. E mais tarde viria a ser embaixadora na mesma cidade." [artigo integral]

Mensagem de Xanana Gusmão

Diário de Notícias, 30/08/1999

DN 30/08/99

Referendo de 30 de Agosto de 1999

Timor-Leste é chamado a pronunciar-se sobre a independência do território num referendo supervisionado pelas Nações Unidas. Apesar das ameaças, mais de 98% da população foi às urnas e o resultado apontou que 78,5% dos timorenses queriam a independência.

29 de agosto de 2009

«A história de Pedro Unamet...»

«Pedro Unamet - filho do referendo»

No DN: "Dez anos depois de comover o mundo com o seu nascimento atribulado, Pedro Unamet Rodrigues quer uma PlayStation, emigrar para a Austrália e ser ministro da Saúde. Mas para já deseja dar uma prenda a Ian Martin, o chefe da missão da ONU em Timor na altura do referendo. A história de Pedro Unamet Rodrigues teve início antes de o menino nascer. Logo que Ian Martin, chefe da missão da ONU (Unamet) em Timor-Leste, anunciou a vitória da independência, cinco dias depois da consulta popular de 30 de Agosto de 1999, a orgia de violência arrancou. Entre a fúria das milícias timorenses integracionistas, enquadradas pelo exército indonésio, e a fuga do pessoal estrangeiro de Díli, uma mulher no fim da gravidez tentava sobreviver." [artigo integral]

28 de agosto de 2009

«Independência foi a votos há 10 anos»

No Sapo: "Há 10 atrás, Timor-Leste estava prestes a dar um passo decisivo em direcção à independência: no dia 30 de Agosto de 1999, o povo timorense foi chamado às urnas para decidir se o país estava ou não pronto para assumir o seu próprio caminho." [artigo integral]

«Resultado do referendo foi negociado para não humilhar Indonésia, diz Mari Alkatiri»

Na TSF: "O líder da Fretilin revelou, esta sexta-feira, que o resultado da consulta popular, que conduziu há dez anos o país à independência, foi negociado para não humilhar e a Indonésia. O ex-primeiro-ministro de Timor-Leste revelou , em declarações à agência Lusa, que o sim à independência foi muito mais expressivo do que o resultado apresentado na altura pelas Nações Unidas. «Soubemos que tinha havido uma negociação no sentido de reduzir a vantagem do voto pela independência, de 90 por cento para 70 e tal, para não humilhar demasiado a Indonésia», disse Mari Alkatiri, que, em 30 de Agosto de 1999, se encontrava em Maputo, capital de Moçambique." [notícia integral]

Ximenes Belo recorda «momento memorável»

No DN (Lusa): "O Nobel da Paz e bispo emérito de Díli, D. Ximenes Belo, recordou ontem a consulta popular de 30 de Agosto de 1999 , definindo-a como "um momento memorável". E foi "um momento memorável por que todos os timorenses participaram", tendo acorrido "em massa às urnas, e através desse instrumento jurídico, manifestaram o seu desejo de se libertarem e construírem um país novo, livre e independente". [notícia integral]

«A Consulta Popular foi oportunidade única para Timor»

No DN(Lusa): "Domingo completam-se 10 anos sobre a data do referendo em que Timor-Leste escolheu a independência, na única ocasião disponível para aproveitar as condições políticas internas na Indonésia, que ocupava o território. Na opinião de personalidades ouvidas na passagem do 10º aniversário da consulta popular, se o referendo não fosse feito naquela ocasião, não se saberia quando se poderiam voltar a juntar condições para tal acontecer." [notícia integral]

Xanana Gusmão: «Somos santos e pecadores»

No DN (Lusa): "O primeiro-ministro de Timor-Leste, defende o perdão aos autores dos crimes cometidos até 1999, em nome das boas relações com Jacarta, considerando que a liderança também teve responsabilidade nos acontecimentos que levaram à ocupação indonésia. Em entrevista à agência Lusa em Díli, Xanana Gusmão explicou que a população será "mais forte" se "perdoar, chamar para o seu lado, em vez de punir" os crimes cometidos durante a presença indonésia em Timor-Leste, entre 1975 e 1999. "Ficamos admirados, com pena, com o grau de ódio que divide comunidades, seitas, tribos em vários países do mundo, que não se perdoam, usam as armas e a violência na sua mais alta expressão, a guerra, para se destruírem", disse Xanana Gusmão. Timor-Leste celebra no domingo os dez anos da consulta popular de 30 de Agosto de 1999, que conduziu o país à independência, último acto de uma resistência protagonizado pelo actual chefe de Governo na maior parte dos 24 anos de ocupação e que terminaram com um saldo de 183 mil mortos." [notícia integral]

27 de agosto de 2009

«Timor-Leste: 10 anos após a independência, ainda não se fez justiça»

[Comunicado de Imprensa da Amnistia Internacional] "O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve estabelecer um Tribunal Criminal com jurisdição para julgar todas as graves violações aos direitos humanos cometidas durante o período em que decorreu o referendo à independência em 1999, bem como no período relativo aos 24 anos de ocupação indonésia, afirma a Amnistia Internacional no relatório publicado hoje quando se celebra o 10º aniversário da independência.

Uma década após Timor-Leste ter votado pela sua independência, a cultura de impunidade continua a assombrar a população do país. Elaborado com base nos resultados da missão a Timor-Leste realizada em Junho, o relatório da Amnistia Internacional “We Cry for Justice, Impunity persists 10 years on in Timor-Leste”, realça como os responsáveis pelos maiores crimes cometidos entre 1975 e 1999, incluindo pessoas que estavam em lugares de chefia à época, ainda não foram julgados perante um tribunal credível, independente e imparcial, quer seja na Indonésia ou em Timor-Leste.

“Apesar de iniciativas ligadas à justiça apoiadas nacional e internacionalmente, o povo de Timor-Leste continua a ver negados os direitos à justiça e reparação. Em 1999 as milícias antiindependência, apoiadas pelos militares indonésios, mataram mais de mil timorenses perante os olhares do mundo, mas ainda não foram responsabilizados por essas atrocidades,” afirmou Donna
Guest Vice-Directora para a Ásia-Pacífico da Amnistia Internacional.

“Desapontados, os timorenses que foram vítimas destas violações e que deram testemunhos em diversas ocasiões a várias instituições, ainda não viram sinais significativos de responsabilização,” afirmou Donna Guest. Enquanto um pequeno número de perpetradores de baixo escalão foram condenados, a maioria dos responsáveis por crimes contra a humanidade continua à solta na Indonésia. Os governos timorense e indonésio escolheram evitar justiça para as vítimas de graves violações dos direitos humanos em Timor-Leste, levando a cabo iniciativas que não resultaram no julgamento e responsabilização dos perpetradores, como foi o caso da comissão conjunta Indonésia - Timor-Leste criada em 2005, a Comissão da Verdade e Amizade.

“Os caminhos percorridos por estes dois governos levaram ao enfraquecimento do estado de direito nos dois países”, disse Donna Guest. “As vítimas necessitam de um compromisso claro por parte dos governos da Indonésia, de Timor-Leste bem como das Nações Unidas para que investiguem todas as alegações e para que levem perante a justiça todos os responsáveis pelas graves violações
aos direitos humanos cometidas entre 1975 e 1999.”

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, que foi anteriormente uma das vozes que exigiu justiça para as vítimas da violência de 1999, tem falhado nos últimos anos no seu compromisso com o povo timorense. A Amnistia Internacional apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que ponha em prática um plano exaustivo e de longo prazo para acabar com estes crimes e com a impunidade, incluindo estabelecer um Tribunal Criminal Internacional com jurisdição sobre todos os crimes cometidos em Timor-Leste sob ocupação indonésia, entre 1975 e 1999.

Informação adicional

A 30 de Agosto de 1999, o povo timorense votou unanimemente a favor da independência. Pelo menos 1200 pessoas morreram no período que antecedeu o referendo e após a divulgação dos resultados, em acções que foram consideradas crimes contra a humanidade, e ainda outras violações graves aos direitos humanos cometidas pelas milícias timorenses pró-indonésia apoiadas pelo exército indonésio. Estas acções incluíram execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, violência sexual, detenções arbitrárias, ameaças e intimidação da população timorense.

Estes abusos foram amplamente documentados pelas organizações de direitos humanos e por vários peritos, em particular nas 2800 páginas do relatório “Chega!” da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação de Timor-Leste (CAVR). Entre as iniciativas de justiça postas em prática desde 1999 está o Tribunal ad hoc de Direitos Humanos estabelecido pela Indonésia com o apoio da Comissão Especial Independente de Inquérito das Nações Unidas em Timor-Leste.

Os 18 acusados originalmente julgados neste tribunal por crimes cometidos em Timor-Leste durante 1999, foram absolvidos após procedimentos criticados por estarem fundamentalmente minados de irregularidades. Em Timor-Leste só uma pessoa condenada pela Comissão Especial das Nações Unidas no país está a cumprir a pena de prisão.

/Fim [Fonte e contactos (em pdf)]

24 de agosto de 2009

Massacre de Santa Cruz

Há imagens e sons que marcam uma geração:



Contra o esquecimento


Acção da Amnistia Internacional em Viana do Castelo (1995)

A minha geração começou a ouvir falar de Timor-Leste em Outubro de 1989, com a polémica visita do Papa João Paulo II ao território então ocupado pela Indonésia. Mas Portugal só acordou defintivamente para o problema a 12 de Novembro de 1991. Nesse dia o exército indonésio disparou sobre manifestantes no cemitério de Santa Cruz, em Díli, e matou cerca de 200 pessoas. A manifestação pretendia homenagear um estudante morto pela repressão e os que não morreram no local acabaram capturados e mortos pelo exército nos dias seguintes. Mas também aconteceu algo que nos mudou a todos: as imagens do massacre chegaram às nossas televisões e do outro lado do mundo víamos jovens ensanguentados a rezar em português. A partir desse dia eu e muitos portugueses assumimos nunca mais esquecer. E assim foi.

18 de agosto de 2009

Setembro '99

Brevemente, a homenagem ao Portugal de Setembro de 1999 que não ficou indiferente ao drama que se viveu naqueles dias em Timor-Leste.