26 de setembro de 2009

«O frasco cheio de balas da irmã Marlene»

Na TSF a 26/9/99: "Durante quinze dias, as freiras salesianas deram guarida a 400 timorenses e repeliram com rezas os ataques das milícias. A irmã Marlene tem dentro de um frasco todos os invólucros de bala que caíram nas imediações da residência das freiras salesianas em Díli durante os ataques das milícias e que têm vindo a ser recolhidos aqui e ali pelos miúdos que lá se encontram refugiados. Ri-se quando mostra o frasco de vidro aos jornalistas, com um brilho traquina nos olhos asiáticos, como se a experiência por que acabou de passar fosse um quase-nada." [artigo integral]

«Uma calma apenas aparente»

Na TSF a 26/9/99: "A histeria da véspera, com acções muito vistosas e intimidatórias por parte da Interfet, quando um contingente numeroso de militares indonésios abandonava Timor, já passou, e a menor presença indonésia deixou a cidade bastante mais calma. Pelo menos aparentemente. O povo está mais alegre, apesar das condições miseráveis. As crianças brincam com nada, os jovens fazem o V de vitória e todos põem camisolas do Xanana. Sempre ânimo e esperança, apesar da miséria. Díli é hoje uma terra arrasada. Vai tudo ter de começar do zero. Há um trabalho incomensurável de limpeza a fazer e a reconstrução vai certamente demorar anos a fio..." [artigo integral]

Público 26/09/99



25 de setembro de 2009

Por Timor


Expresso 25/09/99

«Eu próprio enterrei quatro corpos»

Na TSF a 25/9/99: "Histórias na primeira pessoa de quem viveu os dias de terror e agora as horas da fome em Díli. Ontem era dia importante em Díli. Jornalistas de várias nacionalidades e dois idiomas partem cidade fora, a pé, em busca de motivo de reportagem. No grupo, falam-se duas línguas: português e inglês. De repente, alguém nos aborda: «São portugueses?» Esclarecida a situação, o homem, 50 e tal anos vestidos de negro, desafaba: «Que eu preciso de falar com alguém, pois não sei da minha família.» Recomenda-se-lhe que contacte a Cruz Vermelha, que tem como um dos seus objectivos declarados para Díli ajudar a reunir famílias divididas." [artigo integral]

Público 25/09/99


24 de setembro de 2009

«Isto não é nenhum jogo»

Na TSF a 24/9/99: "Tiros e muita agitação em Díli entre militares da Interfet e indonésios. Peter Cosgrove promete responder a provocações. Há dias assim. Começam com cadáveres, agitação e tiroteio e acabam com ameaças, questões de segurança, e militares a guardar-nos à noite. A história foi falada entre jornalistas, na véspera. Que havia um poço no quintal da casa de Manuel Carrascalão cheio de cadáveres. Supostamente, contou um vizinho, os homens das milícias terão decapitado e cortado os membros aos timorenses que mataram e lançado no mar as cabeças, deixando os corpos naquele poço e noutros locais. Tudo, para dificultar a identificação. Fomos ver. Uns miúdos estavam na rua, bastou perguntar onde era, eles apontaram logo para o poço. Primeiro o cheiro insuportável - as tábuas indicavam a passagem. Uma tampa de ferro. Abre-se. E a imagem é terrível. Milhões de bichos brancos «trabalham» freneticamente na decomposição do cadáver. Percebe-se que é um corpo, um tronco, que está de costas para cima. Ao lado está um braço. Não se vê mais nada. " [artigo integral]

Público 24/09/99


23 de setembro de 2009

VISÃO 23/09/99



Acção Urgente (3)


«Força ainda não segura Timor»

Na TSF a 23/9/99: "Díli está ainda muito longe de ser uma cidade segura. A presença das forças internacionais é fortemente sentida junto ao aeroporto de Komoro, em toda a avenida até ao centro, nas várias artérias da zona mais central e prolonga-se pela marginal até ao Hotel Turismo. O porto está também bem vigiado. Tudo o resto é terra de ninguém, casas arrasadas. Aqui e ali alguns militares, o sempre presente cheiro a queimado e alguns, poucos, timorenses vagueando, espreitando algo que possa ter sido esquecido nos saques." [artigo integral]

Público 23/09/99


22 de setembro de 2009

«Díli, uma visão dantesca»

Na TSF a 22/9/99: "Nas ruas desertas e negras da capital timorense circulam os jipes australianos e ainda são visíveis soldados indonésios. Quando repentinamente a ilha se desenhou no meio de um mar azul profundo, Timor visto do avião pareceu-nos uma lágrima. Uma lágrima de sangue correndo na face do mundo. Depois foi a chegada ao aeroporto, controlado pelas forças multinacionais em uniformes de combate e o dedo no gatilho. Aviões gigantes da força aérea australiana fazem rotações em permanência transportando homens e material. Um vaivém incessante no meio do barulho ensurdecedor dos seus motores a hélice. No exterior do aeroporto, para além de um impressionante dispositivo das tropas da Interfet, encontrámos os primeiros militares indonésios armados. Uma presença cada vez mais visível à medida que nos dirigíamos para a cidade de Díli. Díli, uma visão dantesca, uma cidade calcinada com o ardor da terra queimada envolvida ainda por nuvens de fumo." [artigo integral]

Público 22/09/99


21 de setembro de 2009

«Díli sem gente e sem milícias»

Na TSF a 21/9/99: "Díli sem gente e sem milícias. A capital de Timor-Leste é uma cidade deserta. Os refugiados estão concentrados junto do porto. A falta de água é o principal problema. Díli é uma cidade calma. Extraordinariamente calma. As ruas estão completamente vazias, as lojas deixaram de o ser, não há telefones, não há água. E ontem nem mesmo milícias havia. Os últimos elementos das milícias terão partido durante as horas que precederam a entrada da força multinacional. Para Jacarta ou para a parte ocidental de Timor. Apesar de livre de milícias, Díli é ainda uma cidade insegura. Assusta percorrer estas ruas desertas. Vêm-nos à memória os relatos de terror das últimas semanas." [artigo integral]

Público 21/09/99


20 de setembro de 2009

«Ninguém sabe onde está Xanana Gusmão»

Na TSF a 20/9/99: "A Comunidade timorense em Darwin desapontada com secretismo em torno do líder da Resistência. O Governo australiano pode estar a preparar uma jogada mediática com Xanana Gusmão. O líder da Resistência chegou à pacífica e calmíssima Darwin, de avião, fintou mais de cem jornalistas, e a sua localização é desconhecida. Onde está Xanana?
O presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT) está envolvido numa misteriosa fuga de Jacarta, que intriga todos os que acompanham a situação em Timor-Leste." [artigo integral]

Público 20/09/99