*Não estou certo desta data (pode ser a 6,7 ou 8). Recordo-me que num dos primeiros protestos (neste), um dos timorenses saltou para dentro do recinto da embaixada e foi espancado. Gerou-se o caos durante largos minutos até que os seguranças o libertassem, com novas tentativas de saltar a vedação. [© Luís Galrão]
7 de setembro de 2009
«Deputados do PCP apresentam conjunto de iniciativas por Timor-Leste»
[Nota do Gabinete de Imprensa dos Deputados do PCP no Parlamento Europeu - 07/09/99] "Por iniciativa dos deputados do PCP no Parlamento Europeu, o Grupo da Esquerda Unitária Europeia (GUE/NGL), do qual os comunistas portugueses fazem parte, está a discutir a apresentação da proposta de atribuição do Prémio Sakharov ao povo de Timor-Leste, na pessoa do presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT), Xanana Gusmão.
O "Prémio Sakharov" pela liberdade de espírito é atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu e pretende homenagear personalidades e organizações que se tenham distinguido em várias áreas, nomeadamente a defesa dos direitos humanos e o respeito do direito internacional.
Esta proposta dos deputados do PCP faz parte de um conjunto de iniciativas que visam colocar a questão de Timor-Leste no centro das preocupações da União Europeia por forma a que seja posto cobro à onda de violência e terror que as milícias, em conluio com as forças de segurança indonésias, estão a semear pelo território, e que se respeite o desejo de independência do povo timorense expresso de forma clara no referendo do passado dia 30 de Agosto.
Assim, o Grupo da Esquerda Unitária Europeia (GUE/NGL) solicitará à presidente do PE para que desenvolva as diligências necessárias por forma a garantir que a presidência do Conselho da UE efectue uma declaração sobre a situação em Timor-Leste durante a próxima sessão plenária do PE, que decorre em Estrasburgo a partir do dia 13 de Setembro.
Em simultâneo, e ainda por proposta dos deputados do PCP, o presidente do GUE/NGL endereçou uma missiva à ministra finlandesa dos negócios estrangeiros, responsável pelas relações externas da UE, na qual se apela a que sejam levadas a cabo pressões firmes e eficazes sobre a Indonésia para que respeite os compromissos que assumiu no acordo de Nova Iorque.
À semelhança de todas as iniciativas de solidariedade com a luta do povo de Timor-Leste em que têm participado ao longo dos anos, também em relação a estas propostas os deputados do PCP procurarão envolver os demais partidos portugueses e respectivos grupos políticos." [Fonte]
«Timor-leste no parlamento europeu deputados portugueses concertam posições»
[Nota do Gabinete de Imprensa dos Deputados do PCP no Parlamento Europeu - 07/09/99] "Deputados dos quatro partidos portugueses representados no Parlamento Europeu estiveram hoje reunidos em Bruxelas com o objectivo de poder tornar convergente e em alguns casos conjunta a sua intervenção política em torno da questão de Timor-Leste.
Na reunião, em que estiveram presentes António José Seguro (PS), José Pacheco Pereira (PSD), Ilda Figueiredo (PCP) e Luís Queiró (PP), foram debatidas várias propostas a dinamizar conjuntamente pelos deputados portugueses e que terão alcance e consequências a vários níveis, designadamente no debate político no seio do próprio PE e na discussão do orçamento da União Europeia para o próximo ano. Pretende-se ainda desenvolver iniciativas junto da presidência do Conselho da União Europeia, do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da embaixada da Indonésia junto da UE.
Algumas destas diligências estão já a ser efectuadas, sendo que outras iniciativas desenrolar-se-ão durante a próxima sessão plenária do PE, que se inicia no dia 13 de Setembro, em Estrasburgo." [Fonte]
«Já não há refúgios em Díli...»
Na TSF a 7/9/99: "O general Wiranto enviou ontem para Timor mais quatro mil soldados de elite para proceder ao que considera «um reforço da segurança». Ao mesmo tempo, circulavam na capital da Indonésia informações de que três países da região (Austrália, Malásia e Nova Zelândia), mais o Reino Unido, têm já homens suficientemente preparados disponíveis para integrar imediatamente uma eventual força da ONU a deslocar para o território." [artigo integral]
6 de setembro de 2009
«Timor nas mãos de Jacarta»
Na TSF a 6/9/99: "À mesma hora a que, no aeroporto de Díli, Ali Alatas e o general Wiranto garantiam que a Indonésia continuavam a assegurar a paz, a ordem e a estabilidade em Timor-Leste, as milícias pró-integracionistas dedicavam-se por toda a cidade a actos de intimidação e violência, queimavam casas, cercavam a sede da UNAMET, erguiam barreiras na estrada. Tudo isto perante a passividade e, às vezes, mesmo com a cumplicidade e a colaboração activa de sectores da polícia e do exército. «Nunca vi nada disto em Timor, nem nos piores momentos após a invasão», disse um padre, uma das poucas testemunhas contactáveis na capital." [artigo integral]
Emissão especial TSF
O trabalho da TSF no pós-referendo em Timor-Leste é uma das marcas deste Setembro de 1999. Às 19 horas deste dia 5 começa uma emissão especial que acaba por transformar-se numa maratona contínua de notícias sobre Timor que só termina às 23h do dia 9. São 390 horas de emissão, com as primeiras 100 sem qualquer publicidade, acompanhadas pelo jingle "Timor Loro Sae não pode esperar". A iniciativa é distinguida posteriormente com a medalha dos direitos humanos da Assembleia da República.
O início...
Há 10 anos, acabara de regressar a Lisboa na noite de Domingo, dia 5 de Setembro, numa viagem acompanhada (sempre) pela informação da TSF. Chegámos perto da meia-noite mas não conseguimos (eu e a namorada de então) ir para casa, ou melhor, fomos apenas buscar o carro, já que vínhamos de boleia. Destino: o jardim frente à representaçao das Nações Unidas em Lisboa, em Picoas, o local onde estava a decorrer uma vigília promovida pela Associação Olho Vivo. Lembro-me que ficámos por lá em conversas preocupadas à luz das muitas velas até perto das quatro da manhã. Foi apenas a primeira de muitas iniciativas que se seguiram.
5 de setembro de 2009
«D. Ximenes Belo e os caminhos da independência de Timor»
Na TSF: "Problemas de saúde obrigaram-no a resignar ao governo da diocese de Dili. Recuado da pátria que ajudou a libertar, D. Carlos Ximenes Belo escreve agora em Portugal a história dos 450 anos da igreja de Timor-Leste. Em entrevista à TSF, o antigo bispo de Dili revela dados novos dos difíceis caminhos da independência daquele país que há dez anos participou num dos mais arrojados referendos de sempre." [notícia e áudio]
«O terror há muito prometido»
Na TSF a 5/9/99: "Díli está num caos. Pode estar a morrer muita gente. Chegam informações não confirmadas, obviamente, de mais de cem pessoas mortas nas últimas horas. Vêem-se grandes clarões. As milícias destroem a capital. Queimam e matam. Os tiros são permanentes. Rajadas. É meia-noite em Díli. No terraço do Hotel Mahkota quatro polícias vigiam o movimento nas ruas em redor. Após quatro investidas de elementos das milícias durante o dia, a noite promete ser longa. As malas estão espalhadas pelos corredores, o lixo acumula-se, consomem-se as últimas provisões, desencantam-se conservas, cervejas e águas. Lá fora a situação foi-se agravando ao longo do dia. Os líderes da resistência andam escondidos. Há bairros onde já não entra ninguém, nem sequer a polícia. A UNAMET está num caos. Acaba em tristeza, caos, tragédia e dor o dia que começou de forma esplendorosa com o nascimento de uma nação. Está a ser difícil e doloroso o parto de Timor-Lorosae." [artigo integral]
«Nasceu um país»
Na TSF a 5/9/99: "Timor Lorosae - a ilha do Sol nascente - prepara-se para ver a luz do dia. Os timorenses pronunciaram-se inequivocamente pela independência: 78,5 por cento dos votantes no referendo de 30 de Agosto rejeitaram o projecto de autonomia especial proposto pelo Governo indonésio para Timor-Leste. O chefe da missão da ONU leu a declaração em Díli, quando a situação era muito tensa, e circulavam informações de movimentações de camiões com milícias a entrarem na capital. Díli era uma cidade com forte presença militar, mas com as ruas desertas. Xanana reagiu rapidamente. Fez um dramático apelo para que a ONU forme uma força multinacional que impeça um genocídio em Timor-Leste." [artigo integral]
4 de setembro de 2009
«Jorge Sampaio avalia caminho dos timorenses até aos dias de hoje»
Na TSF: "Em 1999, Portugal uniu-se em nome de uma causa. Nos dias trágicos que se seguiram ao referendo em Timor, Jorge Sampaio desempenhou um papel fundamental na mobilização da comunidade internacional. Passada uma década, o jornalista Manuel Acácio foi tentar perceber como é que o antigo Presidente da República portuguesa avalia o caminho precorrido até aos dias de hoje pelos timorenses." [áudio]
3 de setembro de 2009
2 de setembro de 2009
«Funeral de ressentimentos»
Na TSF a 2/9/99: "Altos representantes das Falintil estiveram presentes no cortejo fúnebre do integracionista Plácido Meneses. Três horas depois, as milícias lançaram o pânico em várias áreas da cidade de Díli. A concentração das duas grandes milícias pró-integracionistas - Aitarak e Besi Merah Putih - nas ruas de Díli deveu-se a um facto a que os pró-integracionistas atribuíram grande importância simbólica: a morte de Plácido Meneses, membro da Aitarak, no domigo em Becora. Plácido Meneses foi espancado nesse bairro por pró-independentistas que vingavam a morte de três vizinhos na semana passada. Seria metido num táxi. É o que as imagens de algumas televisões conseguiram mostrar. Mas o cadáver andou dois dias desaparecido, apesar dos constantes ultimatos da mílicia de Eurico Guterres." [artigo integral]
1 de setembro de 2009
«Medo e Sombras em Timor»
Na TSF a 1/9/99: "Da festa ao medo, em Díli e em muitos outros pontos de Timor-Leste, foi um pequeno passo. Após o desafio dos timorenses, que foram votar em massa (as últimas estimativas da Missão das Nações Unidas (UNAMET) apontam para uma taxa de participação do referendo de 98,6 por cento, as milícias voltaram às ameaças reais. Durante todo o dia de ontem, saíram para rua, ergueram barreiras, exigiram identificações. Chegaram mesmo a cortar o acesso ao aeroporto para que os «traidores» não pudessem abandonar o território." [artigo integral]
31 de agosto de 2009
«Os sons que fizeram história»
«O balanço dez anos depois do referendo»
«Díli recebeu reunião histórica dos chefes de três diplomacias»
No DN: "Pela primeira vez após décadas de contencioso, Díli foi, ontem, palco de uma reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Timor-Leste e Indonésia. Um encontro classificado como "histórico" e que marca uma nova fase nas relações Lisboa-Jacarta." [artigo integral]
«Ordem de Timor-Leste atribuída a Guterres e Jaime Gama»
No PÚBLICO: "O antigo primeiro-ministro português António Guterres e o ministro dos Negócios Estrangeiros dessa altura, Jaime Gama, foram ontem condecorados em Díli com a Ordem de Timor-Leste, pela forma como contribuíram para a concretização do referendo em que há dez anos a população do território optou pela independência. "Agradeço-lhe, Jaime Gama, a sua paciência inesgotável, a serenidade perante a adversidade e a sua grande capacidade como diplomata", disse o chefe de Estado timorense, José Ramos-Horta, em referência ao actual presidente da Assembleia da República." [artigo integral]
30 de agosto de 2009
«Pomba da liberdade abriu asas»
Na TSF a 30/8/99: "Ao fim de 24 anos de luta contra o invasor indonésio, milhares de timorenses participaram ontem no referendo sobre o futuro do território. Segundo as estimativas da ONU, terão votado mais de 90 por cento dos recenseados. E, apesar da tensão dos últimos dias, a votação decorreu sem incidentes de maior. Em Portugal, as reacções foram de regozijo. Ainda é cedo para se conhecerem os resultados do referendo, mas uma coisa é certa: seja qual for o desfecho da votação, ontem a pomba da liberdade abriu as suas asas sobre o povo de Timor-Leste." [artigo integral]
Recortes e memórias
Nos próximos dias irei publicar as capas dos jornais e revistas desse Setembro de 1999. São fotografias das edições originais que teimo em guardar numa grande caixa de cartão. Ocasionalmente escolherei um texto ou uma imagem do muito que se disse e mostrou nesses dias em que todos fomos timorenses. A partir de dia 6, publicarei também as fotos que fiz há 10 anos durante os quase 15 dias de manifestações, vigílias, cordões e outras acções que fizeram de Portugal a capital do activismo.
«Memorial dos Mártires recebe primeiros heróis da libertação»
No DN: "Numa cerimónia carregada de emoção, Ramos-Horta inaugurou monumento que lembra os resistentes à ocupação indonésia. Foi o momento mais alto da celebração do décimo aniversário do histórico referendo." [artigo integral]
«1200 mortos»
" (...) Apesar das ameaças feitas pelas milícias que queriam que tudo continuasse na mesma, 98,6 por cento do eleitorado potencial pronunciou-se e apenas 21,5 por cento disse querer continuar a ser uma província da Indonésia. Seguiram-se actos de grande violência, em que essas milícias, enquadradas pelo Exército ocupante, causaram mais de 1200 mortos e obrigaram 250.000 pessoas a fugir para a parte indonésia da ilha de Timor. Foi o capítulo final de uma presença indonésia que se saldara em cerca de 183.000 mortos, mais de um quinto de toda a população." [Fonte]
«Aniversário do referendo 'é digno de se celebrar'»
No PÚBLICO: "A eurodeputada socialista portuguesa Ana Gomes está em Díli porque "é digno de se celebrar" o décimo aniversário do referendo em que 78,5 por cento dos cidadãos timorenses escolheram ser independentes, após quase 24 anos de ocupação indonésia. "Timor-Leste vive hoje em liberdade, em democracia, no caminho para a prosperidade. E Portugal merece crédito pelo sentido de oportunidade diplomática com que conduziu todo o processo", afirmou por telefone ao PÚBLICO Ana Gomes, que, na altura, era chefe da secção de interesses portugueses em Jacarta. E mais tarde viria a ser embaixadora na mesma cidade." [artigo integral]
Referendo de 30 de Agosto de 1999
Timor-Leste é chamado a pronunciar-se sobre a independência do território num referendo supervisionado pelas Nações Unidas. Apesar das ameaças, mais de 98% da população foi às urnas e o resultado apontou que 78,5% dos timorenses queriam a independência.
29 de agosto de 2009
«Pedro Unamet - filho do referendo»
No DN: "Dez anos depois de comover o mundo com o seu nascimento atribulado, Pedro Unamet Rodrigues quer uma PlayStation, emigrar para a Austrália e ser ministro da Saúde. Mas para já deseja dar uma prenda a Ian Martin, o chefe da missão da ONU em Timor na altura do referendo. A história de Pedro Unamet Rodrigues teve início antes de o menino nascer. Logo que Ian Martin, chefe da missão da ONU (Unamet) em Timor-Leste, anunciou a vitória da independência, cinco dias depois da consulta popular de 30 de Agosto de 1999, a orgia de violência arrancou. Entre a fúria das milícias timorenses integracionistas, enquadradas pelo exército indonésio, e a fuga do pessoal estrangeiro de Díli, uma mulher no fim da gravidez tentava sobreviver." [artigo integral]
28 de agosto de 2009
«Independência foi a votos há 10 anos»
No Sapo: "Há 10 atrás, Timor-Leste estava prestes a dar um passo decisivo em direcção à independência: no dia 30 de Agosto de 1999, o povo timorense foi chamado às urnas para decidir se o país estava ou não pronto para assumir o seu próprio caminho." [artigo integral]
«Resultado do referendo foi negociado para não humilhar Indonésia, diz Mari Alkatiri»
Na TSF: "O líder da Fretilin revelou, esta sexta-feira, que o resultado da consulta popular, que conduziu há dez anos o país à independência, foi negociado para não humilhar e a Indonésia. O ex-primeiro-ministro de Timor-Leste revelou , em declarações à agência Lusa, que o sim à independência foi muito mais expressivo do que o resultado apresentado na altura pelas Nações Unidas. «Soubemos que tinha havido uma negociação no sentido de reduzir a vantagem do voto pela independência, de 90 por cento para 70 e tal, para não humilhar demasiado a Indonésia», disse Mari Alkatiri, que, em 30 de Agosto de 1999, se encontrava em Maputo, capital de Moçambique." [notícia integral]
Ximenes Belo recorda «momento memorável»
No DN (Lusa): "O Nobel da Paz e bispo emérito de Díli, D. Ximenes Belo, recordou ontem a consulta popular de 30 de Agosto de 1999 , definindo-a como "um momento memorável". E foi "um momento memorável por que todos os timorenses participaram", tendo acorrido "em massa às urnas, e através desse instrumento jurídico, manifestaram o seu desejo de se libertarem e construírem um país novo, livre e independente". [notícia integral]
«A Consulta Popular foi oportunidade única para Timor»
No DN(Lusa): "Domingo completam-se 10 anos sobre a data do referendo em que Timor-Leste escolheu a independência, na única ocasião disponível para aproveitar as condições políticas internas na Indonésia, que ocupava o território. Na opinião de personalidades ouvidas na passagem do 10º aniversário da consulta popular, se o referendo não fosse feito naquela ocasião, não se saberia quando se poderiam voltar a juntar condições para tal acontecer." [notícia integral]
Xanana Gusmão: «Somos santos e pecadores»
No DN (Lusa): "O primeiro-ministro de Timor-Leste, defende o perdão aos autores dos crimes cometidos até 1999, em nome das boas relações com Jacarta, considerando que a liderança também teve responsabilidade nos acontecimentos que levaram à ocupação indonésia. Em entrevista à agência Lusa em Díli, Xanana Gusmão explicou que a população será "mais forte" se "perdoar, chamar para o seu lado, em vez de punir" os crimes cometidos durante a presença indonésia em Timor-Leste, entre 1975 e 1999. "Ficamos admirados, com pena, com o grau de ódio que divide comunidades, seitas, tribos em vários países do mundo, que não se perdoam, usam as armas e a violência na sua mais alta expressão, a guerra, para se destruírem", disse Xanana Gusmão. Timor-Leste celebra no domingo os dez anos da consulta popular de 30 de Agosto de 1999, que conduziu o país à independência, último acto de uma resistência protagonizado pelo actual chefe de Governo na maior parte dos 24 anos de ocupação e que terminaram com um saldo de 183 mil mortos." [notícia integral]
27 de agosto de 2009
«Timor-Leste: 10 anos após a independência, ainda não se fez justiça»
[Comunicado de Imprensa da Amnistia Internacional] "O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve estabelecer um Tribunal Criminal com jurisdição para julgar todas as graves violações aos direitos humanos cometidas durante o período em que decorreu o referendo à independência em 1999, bem como no período relativo aos 24 anos de ocupação indonésia, afirma a Amnistia Internacional no relatório publicado hoje quando se celebra o 10º aniversário da independência.
Uma década após Timor-Leste ter votado pela sua independência, a cultura de impunidade continua a assombrar a população do país. Elaborado com base nos resultados da missão a Timor-Leste realizada em Junho, o relatório da Amnistia Internacional “We Cry for Justice, Impunity persists 10 years on in Timor-Leste”, realça como os responsáveis pelos maiores crimes cometidos entre 1975 e 1999, incluindo pessoas que estavam em lugares de chefia à época, ainda não foram julgados perante um tribunal credível, independente e imparcial, quer seja na Indonésia ou em Timor-Leste.
“Apesar de iniciativas ligadas à justiça apoiadas nacional e internacionalmente, o povo de Timor-Leste continua a ver negados os direitos à justiça e reparação. Em 1999 as milícias antiindependência, apoiadas pelos militares indonésios, mataram mais de mil timorenses perante os olhares do mundo, mas ainda não foram responsabilizados por essas atrocidades,” afirmou Donna
Guest Vice-Directora para a Ásia-Pacífico da Amnistia Internacional.
“Desapontados, os timorenses que foram vítimas destas violações e que deram testemunhos em diversas ocasiões a várias instituições, ainda não viram sinais significativos de responsabilização,” afirmou Donna Guest. Enquanto um pequeno número de perpetradores de baixo escalão foram condenados, a maioria dos responsáveis por crimes contra a humanidade continua à solta na Indonésia. Os governos timorense e indonésio escolheram evitar justiça para as vítimas de graves violações dos direitos humanos em Timor-Leste, levando a cabo iniciativas que não resultaram no julgamento e responsabilização dos perpetradores, como foi o caso da comissão conjunta Indonésia - Timor-Leste criada em 2005, a Comissão da Verdade e Amizade.
“Os caminhos percorridos por estes dois governos levaram ao enfraquecimento do estado de direito nos dois países”, disse Donna Guest. “As vítimas necessitam de um compromisso claro por parte dos governos da Indonésia, de Timor-Leste bem como das Nações Unidas para que investiguem todas as alegações e para que levem perante a justiça todos os responsáveis pelas graves violações
aos direitos humanos cometidas entre 1975 e 1999.”
O Conselho de Segurança das Nações Unidas, que foi anteriormente uma das vozes que exigiu justiça para as vítimas da violência de 1999, tem falhado nos últimos anos no seu compromisso com o povo timorense. A Amnistia Internacional apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que ponha em prática um plano exaustivo e de longo prazo para acabar com estes crimes e com a impunidade, incluindo estabelecer um Tribunal Criminal Internacional com jurisdição sobre todos os crimes cometidos em Timor-Leste sob ocupação indonésia, entre 1975 e 1999.
Informação adicional
A 30 de Agosto de 1999, o povo timorense votou unanimemente a favor da independência. Pelo menos 1200 pessoas morreram no período que antecedeu o referendo e após a divulgação dos resultados, em acções que foram consideradas crimes contra a humanidade, e ainda outras violações graves aos direitos humanos cometidas pelas milícias timorenses pró-indonésia apoiadas pelo exército indonésio. Estas acções incluíram execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, violência sexual, detenções arbitrárias, ameaças e intimidação da população timorense.
Estes abusos foram amplamente documentados pelas organizações de direitos humanos e por vários peritos, em particular nas 2800 páginas do relatório “Chega!” da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação de Timor-Leste (CAVR). Entre as iniciativas de justiça postas em prática desde 1999 está o Tribunal ad hoc de Direitos Humanos estabelecido pela Indonésia com o apoio da Comissão Especial Independente de Inquérito das Nações Unidas em Timor-Leste.
Os 18 acusados originalmente julgados neste tribunal por crimes cometidos em Timor-Leste durante 1999, foram absolvidos após procedimentos criticados por estarem fundamentalmente minados de irregularidades. Em Timor-Leste só uma pessoa condenada pela Comissão Especial das Nações Unidas no país está a cumprir a pena de prisão.
/Fim [Fonte e contactos (em pdf)]
Uma década após Timor-Leste ter votado pela sua independência, a cultura de impunidade continua a assombrar a população do país. Elaborado com base nos resultados da missão a Timor-Leste realizada em Junho, o relatório da Amnistia Internacional “We Cry for Justice, Impunity persists 10 years on in Timor-Leste”, realça como os responsáveis pelos maiores crimes cometidos entre 1975 e 1999, incluindo pessoas que estavam em lugares de chefia à época, ainda não foram julgados perante um tribunal credível, independente e imparcial, quer seja na Indonésia ou em Timor-Leste.
“Apesar de iniciativas ligadas à justiça apoiadas nacional e internacionalmente, o povo de Timor-Leste continua a ver negados os direitos à justiça e reparação. Em 1999 as milícias antiindependência, apoiadas pelos militares indonésios, mataram mais de mil timorenses perante os olhares do mundo, mas ainda não foram responsabilizados por essas atrocidades,” afirmou Donna
Guest Vice-Directora para a Ásia-Pacífico da Amnistia Internacional.
“Desapontados, os timorenses que foram vítimas destas violações e que deram testemunhos em diversas ocasiões a várias instituições, ainda não viram sinais significativos de responsabilização,” afirmou Donna Guest. Enquanto um pequeno número de perpetradores de baixo escalão foram condenados, a maioria dos responsáveis por crimes contra a humanidade continua à solta na Indonésia. Os governos timorense e indonésio escolheram evitar justiça para as vítimas de graves violações dos direitos humanos em Timor-Leste, levando a cabo iniciativas que não resultaram no julgamento e responsabilização dos perpetradores, como foi o caso da comissão conjunta Indonésia - Timor-Leste criada em 2005, a Comissão da Verdade e Amizade.
“Os caminhos percorridos por estes dois governos levaram ao enfraquecimento do estado de direito nos dois países”, disse Donna Guest. “As vítimas necessitam de um compromisso claro por parte dos governos da Indonésia, de Timor-Leste bem como das Nações Unidas para que investiguem todas as alegações e para que levem perante a justiça todos os responsáveis pelas graves violações
aos direitos humanos cometidas entre 1975 e 1999.”
O Conselho de Segurança das Nações Unidas, que foi anteriormente uma das vozes que exigiu justiça para as vítimas da violência de 1999, tem falhado nos últimos anos no seu compromisso com o povo timorense. A Amnistia Internacional apelou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que ponha em prática um plano exaustivo e de longo prazo para acabar com estes crimes e com a impunidade, incluindo estabelecer um Tribunal Criminal Internacional com jurisdição sobre todos os crimes cometidos em Timor-Leste sob ocupação indonésia, entre 1975 e 1999.
Informação adicional
A 30 de Agosto de 1999, o povo timorense votou unanimemente a favor da independência. Pelo menos 1200 pessoas morreram no período que antecedeu o referendo e após a divulgação dos resultados, em acções que foram consideradas crimes contra a humanidade, e ainda outras violações graves aos direitos humanos cometidas pelas milícias timorenses pró-indonésia apoiadas pelo exército indonésio. Estas acções incluíram execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, violência sexual, detenções arbitrárias, ameaças e intimidação da população timorense.
Estes abusos foram amplamente documentados pelas organizações de direitos humanos e por vários peritos, em particular nas 2800 páginas do relatório “Chega!” da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação de Timor-Leste (CAVR). Entre as iniciativas de justiça postas em prática desde 1999 está o Tribunal ad hoc de Direitos Humanos estabelecido pela Indonésia com o apoio da Comissão Especial Independente de Inquérito das Nações Unidas em Timor-Leste.
Os 18 acusados originalmente julgados neste tribunal por crimes cometidos em Timor-Leste durante 1999, foram absolvidos após procedimentos criticados por estarem fundamentalmente minados de irregularidades. Em Timor-Leste só uma pessoa condenada pela Comissão Especial das Nações Unidas no país está a cumprir a pena de prisão.
/Fim [Fonte e contactos (em pdf)]
26 de agosto de 2009
25 de agosto de 2009
«A hora é de construir»
Transcrição integral do documento apresentado por Xanana Gusmão, presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT), no dia 25 de Agosto 1999, em Jacarta, intitulado "A hora é de construir. Reconciliação, unidade e desenvolvimento nacional no quadro da transição".
24 de agosto de 2009
Contra o esquecimento

Acção da Amnistia Internacional em Viana do Castelo (1995)
A minha geração começou a ouvir falar de Timor-Leste em Outubro de 1989, com a polémica visita do Papa João Paulo II ao território então ocupado pela Indonésia. Mas Portugal só acordou defintivamente para o problema a 12 de Novembro de 1991. Nesse dia o exército indonésio disparou sobre manifestantes no cemitério de Santa Cruz, em Díli, e matou cerca de 200 pessoas. A manifestação pretendia homenagear um estudante morto pela repressão e os que não morreram no local acabaram capturados e mortos pelo exército nos dias seguintes. Mas também aconteceu algo que nos mudou a todos: as imagens do massacre chegaram às nossas televisões e do outro lado do mundo víamos jovens ensanguentados a rezar em português. A partir desse dia eu e muitos portugueses assumimos nunca mais esquecer. E assim foi.
19 de agosto de 2009
18 de agosto de 2009
Setembro '99
Brevemente, a homenagem ao Portugal de Setembro de 1999 que não ficou indiferente ao drama que se viveu naqueles dias em Timor-Leste.
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